domingo, 4 de maio de 2014

ô mã-nhê

Avé, Maria Manuela, aos longos minutos de skype e à falta de rede na favela do Giba.
Abençoados os ossos do teu ofício, que me carregam a imaturidade.

Perdemos a conta às ondas que nos separam, e às angústias que provavelmente te assolam em dias de chuva. Hoje o céu tá limpo, eu vou arrumar outro colchão e levar a tua fotografia para outra parede.
Mais uma contagem que desisti de fazer.
Perdemos conta aos dias de ir à piscina, às linhas daquelas saias horríveis, aos filmes, e às vezes que perdi o padeiro. Já não sei quantos ovos foram em bolos de chocolate, ou quantos daqueles balões das caixas do feira nova me compraste.
Ainda bem que tu és só uma.
Tu , o teu metro e meio de amor, e os teus 30 anos de idade mental

sinto-te






sábado, 3 de maio de 2014

margens

..vou assim
Sem dar tempo ao pó
Semicerrando as pálpebras
por não me caberem as margens do rio
na alma

Sei mais do que sabia ontem
e menos do que saberei amanhã
porque é que era tão bom
só estar




terça-feira, 1 de abril de 2014

disneyland

três tomates
são só quatro portas
duas mangas
seriam três corações
quatro maçãs
uma questão de timing
um abacaxi
fico ou não aqui
dá dois e trinta
numa carteira em forma de limão
num relógio em contra-mão


segunda-feira, 17 de março de 2014

estou em casa?

O João XXI aterrou em São Paulo num pôr de sol pôr de avião.
A torradeira da Gol chegou à Ilha da Magia já de noite, para me largar em seco numa ressaca de chuva. Só reconheci a estrada já a apontar na fila da Osni Ortiga, como se entrasse numa casa pela porta dos fundos para que me perdoasse a ausência. Caí em mais um colchão, numa reunião de caras familiares que me fez sentir o mesmo baixar de volume que senti em Agosto do ano passado. Estranho
Entrei aqui como se fosse abalar de novo no dia seguinte, com a certeza que em algum momento eu voltaria a sair da minha zona de conforto sem saber muito bem porquê, tal como tão dedicadamente tenho feito nos últimos tempos.
Mas só cheguei a Floripa na espuma de uma onda da Mole. Não foi a primeira nem a segunda, foi uma ali no meio, com o sal na medida certa, que me fez sentir como me senti no último dia de Chuvianópolis de 2013. Igualmente estranho
Numa reviravolta, de repente tornou-se este um começo a sério, grande, que me faz ponderar, hesitar, calcular, e deitar no mesmo colchão por 11 noites.
Eu, que sou boss em decisões precipitadas

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

estou em casa

Pueblito, mi pueblo 
Extraño tus tardes 
Querido pueblito 
No puedo olvidarte. 

Cuanta nostalgia ceñida 
Tengo en el alma esta tarde 
Ay... si pudiera otra vez 
Bajo tus sauces soñar 
Viendo las nubes que pasan 
Y cuando el sol ya se va 
Sentir la brisa al pasar 
Fragante por los azahares.

Herrera, Liliana

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

AMANAUS

Porque amei

Manaus tem calçada, tem bolinho de bacalhau, tem cheiro a caldo verde para um luso faro
Manaus tem suor e rir claro
Manaus tem cor, tem açaí, tem pé no chão
Manaus tem reencontro
Manaus tem paz dentro da mão

Manaus não teve pressa
Manaus deu o abraço de despedida
Uma última partida

Sotaque .pt
Pirarucu
Molho de não sei o quê









Relatos amazónicos III

Encontro das águas. De castanho sujo a azul coca-cola. O solimões e o Negro abraçam-se em bate chapa, nós batemos com a chapa na civilização manáutica.
Ao almoço, tive como que umas tonturas: aquela mesa não balançava nem ligeiramente. Fiquei assim até à noite, à espera do ritmo de um caminhar em aberta água num embalo subtil. Já se lava dentes com água da torneira, já se tira dinheiro da carteira de novo, e os trocos contam-se.
De real,  boliviano, a novo sol, a real. De fiambre, a presunto e de presunto a jamon; De mininas a chicas, de chicas a garotas. E que ricas las chicas.
No pressentimento de um acabou, juntaram-se os ultimos reais para dois dias na selva antes de um regresso à selva real.
De taxi + lancha + jipe + lancha = chegamos à reserva do Juma
Tarde de pescaria, piranha. Nunca tinha pescado, e quando saltou a primeira , mandei um ié, e a seguir nao sabia o que fazer com aquilo, até o guia sacar da naifa de livre vontade. Provei ao jantar e não me soube a nada, comi frango, pollo, sabem? e não pensei em ninguém a sacar-lhe a cabeça.

A noite foi tranquila ainda que debaixo de um bafo de humidade onde banhos ja se perdiam a conta, ao contrario da semana anterior em que tomei, deixa ver.... um.
5h da manhã, dentro da lancha ver o sol nascer de barriga vazia, para depois pitar alguma coisa e ir fazer umas trilhas. Andei numas lianas e meti a mão num ninho de formigas, nada tão wild como esperava. Decidimos poupar 100 reais, que na verdade não tinhamos, e voltamos a Manaus, deixando para trás o grupo que a acampar na selva. Quando nos encontramos com eles no dia seguinte no Hostel, relataram um auentico piquenique. Não deu tanta pena.
Talvez, tendo em conta o padrão do barco peruano, se tivessemos entrado na selva em Iquitos a coisa fosse bem mais ultimate survival.